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Fluid Fund

No portfólio, os vinhos mais cobiçados do mundo.

Entre os cotistas, investidores institucionais, que percebem uma descorrelação entre esta classe de ativos e os ativos do mercado de capitais. Na gestão, uma abordagem customizada, combinando retorno financeiro e experiências diferenciadas. Assim podem ser resumidos os compromissos do Fluid Fund, um veículo de investimento estruturado em 2017 pela empresária americana Jane Box em conjunto com a Chromo Invest.

Sócia majoritária do fundo e também proprietária da Wine Interest, Jane responde pela seleção de cada um dos rótulos adquiridos – trabalho facilitado pelo fato de a empresa ter acesso direto a renomadas vinícolas, o que lhe permite pagar preços não praticados no mercado comum. Na parceria, além de ter sido o capita semente para testar a tese, a Chromo Invest contribui na gestão estratégica do risco do portfólio. “É um casamento perfeito. Aprendemos muito um com o outro”, destaca Jane.

Hoje, o Fluid Fund tem mais de 2 mil garrafas no patrimônio, com um patrimônio que supera 7 dígitos. O retorno desde sua criação chega a 21,8% em US$ – resultado que agrada aos investidores.

O critério para a aquisição de garrafas é rigoroso, limitado a premiados rótulos franceses – correspondem a cerca de 80% do portfólio. Vinhos de origem italiana e americana têm participação de até 25% e 35%, respectivamente. Outros expoentes da produção mundial, como Espanha, Portugal e Austrália, ficam com até 15% do portfólio, enquanto 15% podem ser reservados para destilados, mas sempre de qualidade reconhecida (uísques americano, japonês e single malt, além de conhaque, saquê, rum e tequila).

Antes de integrar a adega do fundo, cada garrafa é minuciosamente inspecionada – produtos de procedência duvidosa não entram no portfólio. Jane relata um episódio que ilustra bem esse cuidado. Um vendedor ofereceu a ela uma garrafa raríssima de Château Cheval Blanc, safra 1947, mas não tinha como assegurar sua origem. A resposta da sócia do Fluid Fund foi negativa. “A integridade no fundo é nosso objetivo mais importante”, justifica.

Faz todo sentido, considerando que oferecer curadoria é uma das funções dos sócios. “Nos concentramos na busca dos melhores produtores de vinho do mundo e dos rótulos de melhor reputação e das melhores safras”, afirma. “Nossa atribuição é escolher os vinhos mais desejados e que, ao mesmo tempo, tenham potencial para se valorizar ano a ano. É o que em geral acontece com os rótulos franceses”, completa.

Experiência única

O seleto grupo de cotistas do Fluid Fund é envolvido numa dinâmica diferente da que tradicionalmente acontece na indústria de fundos de investimentos. “Não somos apenas mais um fundo, que pede informações algumas poucas vezes e depois de alguns anos começa a devolver dividendos. Nossos investidores querem ter uma experiência diferenciada. Procuram desfrutar dos prazeres da vida em todos os momentos, inclusive enquanto trabalham”, destaca a sócia. Não por acaso, a reunião anual do Fluid Fund pode ter como cenário alguma região vinícola investida. É uma tese que proporciona uma educação ao investimento adquirido.

“Conseguimos criar uma relação de escuta e confiança e aprendemos uns com os outros. Nunca gostei de sentir que sou apenas uma parte de um grupo maior. Imagine investir com uma pessoa que conhece o sabor do seu sorvete favorito e outras coisas sobre você, que fazem você se sentir conectado com ela. É isso o que queremos proporcionar aos nossos investidores”, exemplifica.

Engana-se quem vê dificuldades para precificação adequada dos vinhos do portfólio. A Liv-Ex é a Bolsa de Vinhos Finos de Londres que congrega as transações dos 1000 rótulos mais reconhecidos do mercado mundial. Os índices Liv-Ex são as referências para o mercado mundial dessa classe de ativos. Nos 25 anos entre 1988 e 2013, o indicador apresentou uma relação risco-retorno melhor que a de índices de ações como o S&P 500 (Nova York) e FTSE 100 (Londres). Supera também o desempenho de commodities, como ouro e petróleo.

A tese de investimentos do Fluid Fund está fundamentada na desconexão entre o crescimento do PIB global e a elevada liquidez do mercado, movimento que nos últimos anos levou os investidores a migrar para ativos reais. Imóveis em locais nobres, metais preciosos, obras de arte e vinhos tendem a manter o ritmo de valorização, ainda que em cenários de crise, em virtude da característica escassez do referido bem.

Investir em vinhos não é apenas atrativo e divertido: tem tíquete médio relativamente baixo, comparativamente com seus pares de ativos reais, tais como metais e reflorestamento. Também apresenta uma dinâmica similar à que envolve ações: cada vez que uma garrafa de um vinho nobre de uma determinada safra é aberta em um restaurante do mundo, as garrafas remanescentes daquele vinho valorizam-se automaticamente, pelo efeito de o mercado ter uma unidade a menos daquele vinho específico daquela safra (escassez). Uma tese que visa uma apreciação relevante ao longo de décadas de investimento. Afinal, um Château Lafite 1982, quando foi lançado, custava US$ 150. Atualmente, é negociado na faixa dos US$ 3.000 por garrafa.

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